sexta-feira, 29 de maio de 2015

nem o não do silêncio do breu nem o sim da explosão estelar das casas no Arpoador 
bora desamarrar esses laços do passado
que coisa passada dá segurança mas muitar vezes cai no rolê do conservadorismo, essa coisa que é sempre um jogo de palavras e nunca tem vibração e calor no momento agora e, disso, o amor corre
seja fato acaso ou pura cisma o que vira amor é sempre bom
então é melhor ser flexível do que ser duro
tipo assim, sempre
que, como disse um amigo meu, é melhor ser chuva do que ser livro, sem qualquer papo hippie
que essa galera-livro não aprendeu a amar além do que se prevê no roteiro
e sente medo do que tá pra fora da capa
e manda mal com quem anda fora da linha
e a galera-chuva não mete bronca em quem não chove
porque sabe amar
porque cuida bem
e porque sabe que a chuva às vezes tem, às vezes não
O ontem sempre parece o hoje.
É estrutural, e a proposta de redução da maioridade penal é apenas sintoma trágico disso - diante de crises, penaliza-se sempre os marginais, conservando os centros, sejam eles classe, regimes de pensamentos, de vida, o que for, conservando a estrutura constituinte. O sistema não precisa combater Canudos. O sistema precisa reiteradamente PRODUZIR Canudos. Destruir faz parte do espetáculo sado-dramático que o sistema capitalista-liberal precisa performar para gerar consensos - custe o que custar - vidas, bem-estar, (in)segurança. Mas o problema mesmo é a historicamente reiterada necessidade do sistema de reproduzir marginalizações.
Mas não me sinto bem em ficar teorizando sobre isso tudo não. Na real, só queria mostrar essa notícia de 1986 que encontrei enquanto fazia minha pesquisa.
A razão indolente
ou a razão preguiçosa:
"Se o futuro é necessário e o que tiver de acontecer acontece, independentemente do que fizermos, é preferível não fazer nada, não cuidar de nada e gozar apenas o prazer do momento."
Esta razão é indolente porque DESISTE de pensar perante a necessidade ou o fatalismo! Essa razão displicente que não sente necessidade de PROVAR a sua liberdade... Bloqueada pela impotência AUTO-INFLIGIDA e pela displicência, a experiência da razão indolente é uma experiência limitada, tão limitada quanto a experiência do mundo que ela pretende criticar.
São todos reis, no alto de seus castelos hipotéticos, em seus peitos hipotéticos, que se libertaram do mundo cruel e já não desejam mais participar dele junto ao resto dos reles homens e mulheres! É possível ouvir seus pensamentos: - "Que se matem, bárbaros! Eu, junto de meus amigos transcendentais, me furtarei a tal degradação..."
Passai pelo meu desprezo, pretensiosos!
Boaventura de Sousa Santos

quinta-feira, 7 de maio de 2015

amor é pão feito em casa, depois desfeito nas ruas da cidade, desfeito em casa, e refeito nas ruas da cidade, é desterritorialização territorializada.