sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

 
I know this song. It plays when you love someone enough to let them completely inside… and they find the abyss. It looks just like their own.

They pull away. They board up their windows, choose a new name. You delete their contact information, their photos, their emails. You never speak to them again.
You still miss them. More, each day. They stay hidden. You can’t tell them not to worry. You can’t help them forget their fear, to move on, without you.

Unless you disappear. Completely.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

pra quem sabe amar:
o mar
...
ninguém!
o mar
está sempre recuando
tarefa impossível
admirável e imensa
tarefa agoniante
deusas e mitos
nesse mar!
deusas e mitos
no suor líquido do sexo
nas lágrimas líquidas muito doídas!
deusas e mitos
na água líquida da saliva!
no sangue líquido que escurece a carne
que infla os órgãos!
que aciona o cérebro
aciona as nóias
aciona recalques
aciona psicoses
aciona a vontade de ser atropelada ao sair da faculdade
ao sair do bar
ao sair de casa
aciona a vontade de ficar de boa
aciona a vontade de ficar relax
aciona a ideia de que já está tudo bem tudo tranquilo dinheiro faculdade trabalho monografia com 30 anos primeiro filho ta tudo tranquilo imagina
aciona a constatação de que ohhhhh
aciona
ac
aaaaaa

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Alexandria

Perguntei à pessoa mais feliz, satisfeita e esperta que conheço se ela sofria. Ela disse, rasgando: "Sofro a cada segundo, todos."
Tem pessoas que a gente contempla e admira igualzinho a um bom horizonte.
agora entendo o nó misterioso que me produziam montanhas, pôr do sol, longas praias
era tu que faltavas ali, tu que navegas entre as estrelas, agora entendo:
a arte da natureza pede o amor em dois olhares.
nem todos sabem
mas tu sabes: esta praça é o meu amor em estado de sítio.
há um homem sentado a pensar em suas ex-mulheres, ex-namoradas. revisa mentalmente uma por uma, como se participasse de um concurso cujo prêmio máximo fosse enfim descobrir qual era a certa. à sua frente, passa uma moça. apesar de toda estatística, aquela pode ser a certa. apesar de toda estatística, existem coisas novas. sempre, sempre, sempre vai valer a pena arder de amor de novo. sim, de novo. olha a mulher passante. já a ama. lembra da amiga gélida que o acusa de superficial. irresponsável. vulgar. olha a passante e pensa que ama. e a amiga, sem dúvidas, está apaixonada - a moral torna-se sua primeira irmã. está apaixonada: o amigo ama a tudo, ama a todos. e é verdade.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Porque o flerte, meu amor, é como a revolução de Mao Tse-Tung, tem que ser permanente!! hahah hj eu to inspirada!!
É por isso que escrevi o poema ontem, é por isso que escrevo sempre! Gostoso, quero fazer festa em vc! Festa de palavras, festa corporal, festa de deitar, festa de pensar: UFA! ainda é nove horas da noite e eu tenho a madrugada inteira contigo.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

DEUS

Encontre um amigo e esconda-se.
Mas quem pode permanecer escondido?
O segredo do amor está sempre erguendo sua cabeça
para fora de todas as coberturas,
"Aqui estou eu".

Às vezes, o por do sol se parece com o nascer do sol?
Você sabe com o que se parece um amor fiel?
Você chora. Você diz que queimou a si mesmo.
Mas você pode pensar em alguém que não tenha ficado
indistinto com a fumaça?

Totalmente consciente, e sem razão, você veio me ver.
Tem alguém aqui? Eu perguntei.
A lua. A lua cheia está dentro da sua casa.
Meus amigos e eu corremos para a rua.
Eu estou aqui dentro, disse a voz no interior da casa, mas nós não estávamos
ouvindo.
Nós estávamos olhando para o céu.
Meu rouxinol soluçava no jardim, como que embriagado.
As pombas voavam com pequenos gemidos, Onde, Onde.
É meia-noite. Toda a vizinhança está acordada, de pé,
na rua, pensando, O ladrão voltou.
O verdadeiro ladrão está lá também, dizendo em voz alta,
Sim, o ladrão está em algum lugar no meio da multidão.
Ninguém prestava atenção.
Veja, eu estou sempre junto a ti significa que quando você busca por Deus,
Deus está no olhar de seus olhos,
Na reflexão da visão, mais perto de ti que tu mesmo,
ou das coisas que te aconteceram. Não há necessidade de ir para fora.

DEUS É ALGO QUE ESTÁ MAIS PERTO DE MIM DO QUE EU MESMA. HÁ ALGUÉM MAIS PERTO DE MIM DO QUE EU MESMA. EU ESTOU MAIS PERTO DE MIM DO QUE EU MESMA. EU - LIVRE; EU MESMA - MARCADA, PRESA.

L.T.P.'s (Love Tomaz Poems)

Minha casa tem um canto com seu nome.
O rodapé quando passo meus dois pés e os teus não trazem a poeira da rua junto. 
As janelas quando se abrem para o sol e o sol é o mesmo que te arde em outro lugar. 
São as coisas por onde se intersectam meus desejos. 
São coisas que me falam de ti antes de te conhecerem. 
É minha preferência antiga por coisas redondas, por coisas robustas, 
é minha aversão à vértices e assimetrias, 
todas as coisas que sem saber me anunciavam que, 
um dia, 
eu te conheceria e te preferiria.

Não bastasse te preferir, eu te amo.
O que torna todas as coisas mais complexas
e mais sentidas.
O que dá diariamente sentido e complexidade às coisas.

Eu te prefiro e te amo. E cada vez mais, eu te conheço.
E sigo
te preferindo
e te amando
e essa combinação de sentimentos - o preferir junto ao amar,
é como um mantra que me preenche os ouvidos da alma absolutamente o tempo todo.
É um mantra que me envolve tranquila, e,
sem que necessariamente eu o ouça
me traz, de alguma forma e de algum lugar que eu não entendo
um pouquinho mais de fé na vida.


sábado, 19 de julho de 2014

combalidos

como responder-te?
se cada frase ergue a ponte
pela qual você tu te encaminhas, e somes.
como responder-te?
se me amas no silêncio
se amas o ser que me habita
mas não suportas as forças que o animam.
como responder-te?
tu amas não sabes a quem, não sabes a quê
tu não amas além do violento suspiro
de quem está vivo e, por vezes, não respira.

desencontramo-nos
e já a terra começa a deter-nos
vencidos pela tua mudez
vencidos pelo teu dedo opressor
vencidos pela tua estupidez

a nós nos resta o canto turvo
débil, inválido
dos homens que vivem e temem.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

“Encontro pela vida milhões de corpos; desses milhões posso desejar centenas; mas dessas centenas, amo apenas um. O outro pelo qual estou apaixonado me designa a especialidade do meu desejo. Esta escolha, tão rigorosa que só retém o Único, estabelece, por assim dizer, a diferença entre a transferência analítica e a transferência amorosa; uma é universal, a outra é específica. Foram precisos muitos acasos, muitas coincidências surpreendentes (e talvez muitas procuras!), para que eu encontre a Imagem que, entre mil, convém ao meu desejo. Eis o grande enigma do qual nunca terei a solução: por que desejo esse? Por que o desejo por tanto tempo, languidamente? É ele inteiro que desejo (uma silhueta, uma forma, uma aparência)? Ou apenas uma parte desse corpo? E, nesse caso, o que, nesse corpo amado, tem a tendência de fetiche em mim? Que porção, talvez incrivelmente pequena, que acidente? O corte de uma unha, um dente um pouquinho quebrado obliquamente, uma mecha, uma maneira de fumar afastando os dedos para falar? De todos esses relevos do corpo tenho vontade de dizer que são adoráveis. Adorável quer dizer: este é o meu desejo, tanto que único: “É isso! Exatamente isso (que amo)!” No entanto, quanto mais experimento a especialidade do meu desejo, menos posso nomeá-la; à precisão do alvo corresponde um estremecimento do nome; o próprio do desejo não pode produzir um impróprio do enunciado: deste fracasso da linguagem, só resta um vestígio: a palavra “adorável” (a boa tradução de “adorável” seria ipse latino: é ele, ele mesmo em pessoa)." Barthes (fragmentos de um discurso amoroso)
lembro do muro colorido e do jogo das perguntas
e faço questão de lembrar de você, meu amigo querido e meu amor
pois foi lá, lá e tantas vezes, que eu percebi de novo que vc é show!

terça-feira, 17 de junho de 2014

quantas vezes
corda no pescoço
os dias passaram
e eu não morri
a vida é mesmo uma piada
"Atravessei a rua, atravessei a vida
Acreditei que era perto e fui lá ver"

O espaço convida à ação, e antes da ação a imaginação trabalha. Ela ceifa e lavra.
encontrar um mistério e não o violentar com o desvendamento - acho que essa é a única forma de se ser justo com o outro e de manter viva a maldita máquina desejante. por trás do mistério não deve haver nada de muito novo. novo mesmo é o mistério. é a dança através da qual a pessoa esconde sua igualdade. a grande brincadeira.
o dia escorria
corríamos da noite e do mistério que apaga as linhas das coisas
que apaga a gente do tempo
e dos olhos de todos
fugíamos do escuro
fugíamos das mãos concretas que modelariam pernas, caminhos, meios
fugíamos da concretude de mãos concretas tecendo rituais, delírio, tensões, gritos, santos, um beijo
fugíamos do escuro, escultor do silêncio

mas alguém anunciou o fim da inocência, o tempo das decisões
respeitamos
lançamo-nos ao fim malicioso
metemo-nos num quarto breu
nada era dia, exceto vermelho
(...)

e olha
ao final de tudo
a inocência
redobrou

um par de meses e essa história ganhará pernas
ou para dar na porta
ou para sentar-se ao pé da sala
inundando a casa de discursos originários
Subi as escadas
Tocava um pagode
Quis dançar e sorrir, não o fiz
Nem sempre pensar é existir

porque tu

Porque tu me conheces
e não me despes
Porque sabes que, uma vez despida
rumo à derrocada
Porque sabes que despida
movimento a vida e caminho junto à cova

(escolho o que faço
enquanto morto buscando vida
para descobrir que
enquanto vivo
me sussurro
morte
morto-vivo me explico
morto-vivo me impeço
de morrer
morto-vivo me impeço
de viver)

Porque sabes que toda tristeza, fora de si, poeira de estrelas;
dentro de um ser, a vida inteira
Porque sabes da dor, e respeitas
Porque sabes que terra infértil, rachadura
E entendes que antes terra, caminhadura
Porque sabes, tu, que todo verso sobre terra conclama sangue e martírio - tu vacilas
Porque sabemos que, no momento preciso,
não me negarás a despedida

(palavras como pústulas
apóstolos ácidos
enquanto conversam
ele querem matar
para que não morra
porque é Ele
Pústula
surge para matá-lo
porque sabe que não conseguirá)
Eu a amava despreocupadamente, como quem tem a vida inteira - mas a partida daquela mulher me era tão clara! Virou-se numa frieza gaia e sumiu; pôs em evidência mais uma vez que não existe verdade, desejo, devir. Existe apenas lampejos torpes de emoção e abandono, abandono, abandono, todo dia e o tempo todo.
saudade
grande delírio mal sucedido
instala-se em todos os aposentos a impossibilidade

alexandria

talvez aquele homem fosse como um filme russo que nos canta ao ouvido preciosas fórmulas alquímicas. e talvez, para mim, nao haja escolha - e talvez seja esse o verdadeiro mito, no final das contas. talvez eu perceba a frase ideológica que guia minha vida na segunda página - quero um amor fresco todos os dias. talvez eu leia em seguida um e-mail que afirma que os nativos de meu signo dao muita importância aos sonhos. entenderia, agora, o porquê, finalmente o porquê, de certas coisas. aqui está. o outro tinha um plano prévio, eu nao via. eu tinha um sonho. mas sabe de uma coisa, meu ídolo tombado? trocava o sonho por uma vida.
Como uma boa colheita, o seu amor me aparece de vez em quando, de vez em quando some também, mas eu não me desespero, sei que a efemeridade é uma roupa do verdadeiro, e se não há frutos agora, há terra cuidando da próxima leva, e há eu cuidando da diária semeadura. Te amo sabendo de seus maus tempos, de seus silêncios todos, sabendo da sua fraqueza e da sua força tão forte. Madeira boa, cheiro de madeira. Te amo assim, como colheita, cultivando a espera sem que isso nos fira ou arda. Te amo como colheita. Poderia te amar como a um deus, e de tudo esperar, e jamais aguardar devido a suas qualidades onipresentes e potentes, poderia criar uma religião entre isso tudo e ajoelhar no fundo de um poço escuro, sentido os maus-cheiros da reclusão, servindo a uma causa que não é você nem eu, é o filho traumático resultado de não nos olharmos como pessoas tocadas pelo amor, e sim como servos cumprindo a dívida eterna. Não. Te amo como colheita, e só assim sei amar bastante. Sentindo os cheiros de um campo aberto, da alma feliz e da mente bem resolvida. Liberdade total é isso: é poder correr rumo à romaria e se excitar com os gritos das almas-mal-entendendo, aderir à histeria de que tudo é sofrer, é poder fazer isso tudo e, em lugar disso, simplesmente sentar-se à beira de uma janela, fitando tranquilamente os longos ciclos de várias colheitas. Amor é isso: nao é uma febre. Não é a mais absoluta dor. Amar é sentar-se e não sentir nada que intervenha a sanidade e tranquilidade. Amar é, finalmente, entender um pouquinho mais da vida.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Olho e
capto seu ethos
Vontade infantil de levar à boca
Tudo o que vejo e gosto

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Bichinho

Coisas que quero te dizer e não sei como expressar direito:

Que azar o nosso de o destino guardar essa curva que coloca as coisas como tudo ou nada. É violento e eu não esperava.

Minha vida não deu um "pause", mas volta e meia eu ando triste, bem triste mesmo. Mas entendo que a tristeza é só um movimento da dança que a gente fala, e a dança é a vida inteira - existem outras coisas. Ainda assim, triste.

Espero que nada te estresse ou te doa a cabeça, viver assim é ruim.

Meu coração encheria de alegria, como sempre se enche quando te vê, se você continuasse perto de mim, porque, no momento, o meu amor tem o seu jeito e busca você.

O que vivi contigo foi precioso e temo que seja aqueles casos de cometa que só passa de 70 em 70 anos. Tô ferrada.

Havia uma comunicação silenciosa entre nós que é o que mais me tocava. Um feliz encontro de arquétipos.

Sua coisa rústica e a simplicidade, para além de me enternecerem, davam-me um novo élan à minha vida. Como se eu escondesse um segredo que efetivamente ninguém estava interessado em descobrir, mas ainda assim, sentia-me viva e era um dos motivos que me faziam soltar as risadinhas randômicas no meio de conversas ou no meio do silêncio.

A mensagem é boba porque eu já não sei me expressar, imagine agora que tudo de simples foi pra delicado. Então termina aqui, que na verdade o que eu queria dizer com isso tudo é que te amo. Eu te amo grande.

(não escrevo na expectativa de uma resposta. nem quero jogar baixo e ficar barganhando o seu carinho, nossa, essa postura me dá arrepios. são só coisas que eu queria dizer, na sexta vc foi embora rápido e não deu tempo de nada...)

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Quarta, 12 de dezembro de 2012

todas as palavras de carinho, passarinho
você as mergulha num novo óleo
um óleo de fedor, de pavor, de perversão
você desacredita no ninho, vai descontruindo
inconscientemente malvada, cada tom da canção
 anunciando a morte matada do amor!!!
A liberdade que você quer ter, mas que não sabe ser.
Cristina Froment
beijo de amigo é tipo tesoura sem ponta simpatia é quase amor
the others are better than some days
some days are better than others
la sympathie c'est presque de l'amour
sobre o dar e receber

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

28 de Janeiro de 2011

naquele dia quente demais naquele último vagão de metrô a porta abria e fechava o ar vazava alguns se levantavam e alguém telefonava ouvia-se um sorriso e alguém imaginava o que ela tanto dizia no ouvido da menina o ar faltava naquele último vagão de metrô que andava balançando toda a gente aquele último vagão teria a cor do amor, se derretesse...