o dia escorria
corríamos da noite e do mistério que apaga as linhas das coisas
que apaga a gente do tempo
e dos olhos de todos
fugíamos do escuro
fugíamos das mãos concretas que modelariam pernas, caminhos, meios
fugíamos da concretude de mãos concretas tecendo rituais, delírio, tensões, gritos, santos, um beijo
fugíamos do escuro, escultor do silêncio
mas alguém anunciou o fim da inocência, o tempo das decisões
respeitamos
lançamo-nos ao fim malicioso
metemo-nos num quarto breu
nada era dia, exceto vermelho
(...)
e olha
ao final de tudo
a inocência
redobrou
um par de meses e essa história ganhará pernas
ou para dar na porta
ou para sentar-se ao pé da sala
inundando a casa de discursos originários
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