terça-feira, 17 de junho de 2014

porque tu

Porque tu me conheces
e não me despes
Porque sabes que, uma vez despida
rumo à derrocada
Porque sabes que despida
movimento a vida e caminho junto à cova

(escolho o que faço
enquanto morto buscando vida
para descobrir que
enquanto vivo
me sussurro
morte
morto-vivo me explico
morto-vivo me impeço
de morrer
morto-vivo me impeço
de viver)

Porque sabes que toda tristeza, fora de si, poeira de estrelas;
dentro de um ser, a vida inteira
Porque sabes da dor, e respeitas
Porque sabes que terra infértil, rachadura
E entendes que antes terra, caminhadura
Porque sabes, tu, que todo verso sobre terra conclama sangue e martírio - tu vacilas
Porque sabemos que, no momento preciso,
não me negarás a despedida

(palavras como pústulas
apóstolos ácidos
enquanto conversam
ele querem matar
para que não morra
porque é Ele
Pústula
surge para matá-lo
porque sabe que não conseguirá)

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