sábado, 19 de julho de 2014

combalidos

como responder-te?
se cada frase ergue a ponte
pela qual você tu te encaminhas, e somes.
como responder-te?
se me amas no silêncio
se amas o ser que me habita
mas não suportas as forças que o animam.
como responder-te?
tu amas não sabes a quem, não sabes a quê
tu não amas além do violento suspiro
de quem está vivo e, por vezes, não respira.

desencontramo-nos
e já a terra começa a deter-nos
vencidos pela tua mudez
vencidos pelo teu dedo opressor
vencidos pela tua estupidez

a nós nos resta o canto turvo
débil, inválido
dos homens que vivem e temem.

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