sê Deus
aquilo que é
um pouco, ou um tanto
guarda espaços vazios, que caracterizam sua (in)completude
nesses vazios, projetamo-nos
corrompemos.
aquilo que é
absolutamente
reclina-se, circula-se, recusa vértices que nos provocam
tiraniza os sentidos, aliena os julgamentos
castra perversões e virtudes
o absoluto nos emudece, nos mata para nos parir
para operarmos dentro de sua lógica
(que não existe, pois é absoluta)
o absoluto não existe - o absoluto é. e, quando é, nos é.
não se conhece o absoluto
dele, nada se sabe, pois tal faculdade -o saber- idolatra a obliquidade
dos relativismos e denuncia absolutismos, mesmo os circulares, mesmo os
uterinos
não se compreende o absoluto
o absoluto nos compreende
na terra, somente o belo é absoluto
absolutamente
sempre, gigante
diante da beleza
curve-se, devote-se,
para a ela ser justa, para a ela servir
para a ela pertencer
para sê-la
subliminarmente
sublime
sê Deus
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