sexta-feira, 23 de outubro de 2015

e de repente eu tava falando forte, falando gíria. eu pensava e falava, nao ficava preso. a coisa vinha, e dava certo. e eu gostava muito. acho que era eu assumindo minha brasilidade, um sotaque ancestral, e a palavra ficava forte. foi uma coisa assim de assumir mesmo. assumir que eu nao me fiz sozinho, que eu ja existia antes e que o que eu sou agora quase nada se deve a mim, entao deixei essa ideia me tomar e falar com o meu corpo. e eu nao era passivo nisso tudo nao, era eu que mexia a massa. e ta dando nisso, nisso de eu conseguir falar com os outros e nisso dos outros gostarem de me ouvir. é que eu acho que falo com eles e com todos aqueles de antes deles, que tão dentro. e dai toda a gente conversa de verdade, não é só palavreação nao.

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