No início a novidade me movia. O lugar diferente movia. Conhecer pessoas movia. Depois. Como sempre. A difícil rotina. Pequenas alegrias. Pequenas preocupações. Tudo parece se equivaler. Tudo pulsa, diz uma ideologia. Tudo morre, já está morto, é mais do mesmo, o problema está no seu olho, que já não se regenera, diz um velho analista amigo meu.
As pessoas passam. Rio incessante de rostos. Só este rosto fica. E mais esse. E mais aquele. Anos passam nessa rua. Outros talvez não foram, não são não serão. Mas este é. Quase sabe. Isto não vai durar. Olho pela janela. O dia nascendo. Hoje mais nublado. Há tantas janelas como a sua no prédio enorme. Daqui a pouco já não estará. E por mais que saiba o endereço para onde vai voltar, nada é seguro. Parece que a cada esquina pode dobrar por onde não deveria. Pelo caminho imprevisto. Pela rua que não conhece. E pensar. Aqui não conheço. Aqui ninguém me conhece. Posso voltar a sentir o frescor de outros momentos. O frescor de ter tudo pela frente, de começar tudo de novo. É sempre assim. O momento maior do desamparo. Aqui. Agora. Qual será a próxima palavra. A próxima hora. A próxima boca. O mais difícil é o primeiro gesto. Também o mais simples. Todo o resto parece que vai acontecer se o primeiro gesto for feito. Este. Vai levantar da cama. Depois trocar de roupa. Depois tomar o café da manhã no chão. Depois ligar o computador. Depois. Na ilusão de que em meio às muitas mensagens que pedem, demandam, cobram. Haja uma. Uma mensagem enfeitiçada. Só precisa ser uma. Pra durar duas semanas. Ansiedade e juventude. Transitoriedade e ansiedade. Mensagens. A internet já está conectando. Em breve, novos rostos começarão a passar na timeline. Leve estrecimento. Leve prenúncio. O dia já começou. Texto de. Denilson Lopes. E com comentários. E adições. Inseridas por Jéssica Sol. |
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
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