Li por aí (tour Anitta) que estamos fixados em bunda, cu, bumbum, boceta. "Coisas primitivas, uga-uga". Vou ser bem direta: como se homens cis Ht não passassem o dia inteiro se masturbando ou violando visualmente corpos pelas ruas (cu, bumbum, boceta); dignas somos nós, mulheres, bichas e todas mais, que aos poucos temos encontrado nossas maneiras de exorcizar (ou pelo menos nos liberar momentaneamente) os símbolos que nos estrangulam desde sempre (começando pela genitália, sempre), nem que seja pela repetição afirmativa, que abre sim um campo de potência surreal. Sinceramente, quem critica não tá realmente entendendo o ritual coletivo que tem sido costurado com o rebolado solitário no quarto, no banheiro, nos stories, no baile, na rua, com @s amig@s. Não é piada não, é real. Esse ataque todo é, no fundo, a um modo de vida. E obviamente nós sabemos! No fundo, pra mim esse estardalhaço todo parece uma tentativa cruel de colocar a gente no lugar de onde nunca deveríamos ter saído (e muito menos afirmado): um lugar socialmente rebaixado, uma merda, o antro de todas as opressões. Um lugar onde o cérebro não se desenvolve direito, e onde tudo o que nos resta é o corpo. Sim, tem gente dizendo isso!
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domingo, 22 de julho de 2018
anitta
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