É necessário construirmos experiências coletivas!
No Chile, país que viveu uma das ditaduras mais violentas da América Latina, onde literalmente correu um rio de sangue, há um museu de direitos humanos extraordinário. Super contemporâneo, ele possibilita uma imersão bem realista e inesquecível na experiência da ditadura. Existe um telão, por exemplo, na porta de entrada do museu, que transmite os primeiros momentos do golpe militar, onde ouvimos o terrível som dos militares cercando o palácio onde estava Allende, ouvimos o presidente em suas últimas palavras, ouvimos os sons de passos duros adentrando o espaço, ouvimos os tiros dos militares, tudo real. Allende inclusive, neste momento, segurava para sua defesa uma metralhadora que ganhou de Fidel Castro, jamais utilizada. É o horror rondando. Há uma sala repleta de fotos das covas cheias de corpos anônimos: trabalhadores, militantes ou não, assassinados brutalmente. Há um outro espaço onde podemos ler as cartinhas de crianças exiladas, escrevendo à procura de seus pais que foram obrigados a ficar para trás. Vemos narrativas sobre o período a partir dos próprios acontecimentos registrados, desde as transformações econômicas até às culturais mais singelas. É entrar numa máquina do tempo muito importante. Esse tipo de máquina é extremamente necessária em diversos territórios. Para que a gente possa falar com muita segurança: nunca mais! E dar os próximos passos a partir deste solo comum.
Nenhum comentário:
Postar um comentário