domingo, 4 de novembro de 2018

crise e o trabalho feminino


É claro que irão fortalecer os discursos ideológicos em favor da família tradicional - leia-se o trabalho reprodutivo, afetivo e de cuidado não remunerado que as mulheres, eixo fundamental da família, realizam. Com o Brasil que nos espera, cairá mais uma vez sobre os ombros das mulheres o cuidado de idosos que não se aposentarão, de crianças que, mais do que nunca, precisarão do apoio e acompanhamento familiar (leia-se: feminino) desde a carteira de vacinação, nutrição e frequência escolar (dever do Estado, execução feminina) até às atividades lúdicas que cremos fazer parte da construção infantil, de maridos desempregados ou semi empregados que também precisarão de suas marmitas, sua atividade sexual, sua distração, esforço de cura da depressão. Serão as mulheres que velarão as vidas e condições decaídas. Mais uma vez, as mulheres trabalhadoras e os ombros que suportam o mundo. Para o trabalho feminino, não há aposentadoria. Por essa tragédia, e outras, que a glorificação da família tradicional virá com força total nos próximos anos. Por isso, também, é dever da esquerda reconstruir laços de solidariedade que aliviem material e afetivamente o nosso sofrimento e politizem as trajetórias aparentemente individuais, mas replicadas em cada casa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário