interessante post. é interessante observar o que tem acontecido na política e na vida social à luz do entendimento sobre a automatização e robotização das cadeias produtivas e do estreitamento das fronteiras entre o trabalho morto e o trabalho vivo. está implícito aí um processo inevitável de realocação e ressignificação das fronteiras também entre o espaço público e o privado, necessário para fluírem os fluxos de informação privada e incisão de desejos que serão um novo motor da próxima etapa de acumulação e colonização capitalista (o cyberespaço, o sexto continente, a nova colônia expressa isso tão bem). as esferas binárias da vida social vêm, cada vez mais, se confundindo - num balançar ação-reação, revolução-contra revolução. na verdade, nunca estiveram separadas, sempre operaram dialeticamente. mas reagíamos à separação cinicamente, numa inversão fetichista privado > público (igualdade universal entre todos no mundo público, diferenças expressas no âmbito individual, conflitos mediados pela forma mercadoria, por intermédio das "coisas" - sabemos do significado das coisas, mas agimos como se não soubéssemos - daí a reação cínica, ou seja, desengajada). hoje, prevalece uma lógica superior da fantasia capitalista, onde as coisas crêem PELOS sujeitos, o sujeito não precisa crer, as coisas acreditam POR ele e tentam FALAR por ele. mas isso não significa um apagamento da capacidade de agência dos sujeitos. significa, ao contrário, um reforço. na verdade, esse é um dos pontos chave da leitura sociológica hoje. há sempre uma fala ATIVA de duplo nível. é uma fala que comunica e, simultaneamente, deixa de comunicar, mantendo um pântano de dúvidas. por isso também os vetores de velocidade são um novíssimo elemento de conformação do poder e riqueza. como deve ser nossa atuação discursiva neste novo mundo? é uma reflexão interessante que considero muito importante.
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